A primeira regra do “Sea Fight de Box” era, aparentemente, não se preocupar com nada: nem com autorização, nem com segurança, nem com equipe médica. O evento de lutas realizado na orla de Itaipuaçu, em Maricá, viralizou nas redes sociais nos últimos dias e gerou preocupação entre moradores — e dor de cabeça para os organizadores.
Ao contrário do filme, desta vez todo mundo ficou sabendo. Os vídeos que circulam na internet mostram participantes disputando combates em um espaço improvisado, delimitado por pneus, sem equipamentos de proteção, sem ambulância e sem qualquer estrutura profissional de atendimento de emergência. Ao redor, dezenas de pessoas acompanhavam as lutas de perto — um cenário que mistura adrenalina, risco e total ausência de respaldo legal.
Como no longa de David Fincher, o evento também tinha suas próprias regras não escritas: premiação em dinheiro para os vencedores, venda de bebidas alcoólicas e aluguel de narguilé no local. Faltou apenas o mínimo exigido por lei.
A Prefeitura quebrou o silêncio
Se os organizadores preferiram agir nas sombras, a Prefeitura de Maricá foi direta. Por meio da Secretaria de Lutas e Esportes de Combate de Base e Alto Rendimento, o município afirmou em nota que não autorizou, não apoiou e não tem qualquer relação com o evento. A secretaria destacou que atividades chanceladas pela gestão municipal seguem rigorosas exigências de segurança, e informou que o caso será encaminhado aos órgãos competentes para as providências cabíveis.
Sem regras, as consequências podem ser sérias
No universo fictício do Clube da Luta, o caos era a proposta. Na vida real, no entanto, a ausência de estrutura mínima tem peso jurídico. No Brasil, eventos esportivos com contato físico exigem autorização prévia dos órgãos competentes, alvará de funcionamento, presença de equipe médica e condições adequadas de segurança. Quem organiza eventos fora dessas exigências pode responder administrativamente — e até criminalmente — em casos de lesão grave, omissão de socorro ou exposição de terceiros a risco.
A comercialização de bebidas e a oferta de premiação em dinheiro também demandam licenças específicas, que, segundo as informações apuradas, não foram obtidas.
A reportagem aguarda manifestação dos organizadores. A primeira regra, desta vez, não vai segurar a história.

