“Hoje em Maricá a gente vive uma ditadura”, diz Aldair de Linda

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A movimentação política que vem alterando os apoios para deputado estadual dentro da base governista de Maricá ganhou um novo capítulo neste sábado (3), véspera das Eleições 2026.

O presidente da Câmara Municipal de Maricá, Aldair de Linda (PT), se manifestou após vereadores que vinham apoiando a candidatura de seu filho, Alysson Elias (PT), começarem a mudar de posicionamento na reta final da campanha.

Em uma mensagem direcionada aos apoiadores, Aldair agradeceu aos vereadores que permaneceram ao lado da candidatura até este momento e afirmou compreender aqueles que estão deixando o grupo.

“Vim aqui, mais uma vez, agradecer os vereadores que nos apoiaram até agora. Entendo vocês, sei que não é da vontade de vocês deixar de apoiar meu filho, deixar de me apoiar, porque eu sempre fui fiel a todos”, declarou.

A fala do presidente da Câmara chama atenção porque reconhece publicamente a perda de apoios sofrida pela candidatura de Alysson Elias nos últimos momentos antes da votação.

Ao mesmo tempo, Aldair sugere que, na avaliação dele, essas mudanças não teriam ocorrido por iniciativa dos próprios vereadores.

“Hoje em Maricá a gente vive uma ditadura”

O trecho mais forte da manifestação aconteceu quando Aldair criticou o atual ambiente político da cidade.

“Mas entendo. Hoje em Maricá a gente não vive uma democracia, a gente vive uma ditadura”, afirmou.

A declaração expõe uma tensão dentro do próprio grupo político que governa Maricá, já que Aldair pertence ao PT e ocupa a presidência da Câmara Municipal.

A expressão utilizada pelo parlamentar representa uma avaliação política dele sobre o episódio. Na mensagem divulgada, Aldair não cita quem teria determinado a retirada dos apoios nem apresenta detalhes sobre eventuais pressões sofridas pelos vereadores.

Ainda assim, a fala ganha peso justamente por partir de uma das principais lideranças políticas da base governista no Legislativo municipal.

Apoios começam a migrar para Zeidan

Nos bastidores da política local, a mudança de apoios está relacionada a uma movimentação de reta final em torno da candidatura da deputada estadual Zeidan (PT).

Informações apuradas junto a integrantes do grupo governista indicam que avaliações internas realizadas nos últimos dias teriam provocado uma reorganização da estratégia eleitoral para deputado estadual.

A preocupação estaria relacionada ao desempenho da candidatura de Zeidan ao longo da campanha, o que levou integrantes da base a reforçarem a mobilização em torno da parlamentar.

Zeidan está atualmente em seu terceiro mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e integra a Mesa Diretora da Casa como terceira vice-presidente.

Um dos movimentos que já se tornou público envolve o vereador Marcos Bambam. O parlamentar vinha apoiando Alysson Elias durante a campanha, mas passou a declarar voto e pedir apoio para Zeidan nesta reta final.

Outros vereadores e lideranças ligados à base governista também estariam sendo direcionados para reforçar a candidatura da deputada.

Alysson perde apoios na reta final

A mudança acontece em um momento particularmente delicado para Alysson Elias. O candidato construiu sua campanha apoiado por diferentes vereadores e lideranças do grupo político que governa Maricá.

Com a aproximação da eleição, no entanto, parte dessa estrutura começou a migrar para outra candidatura do próprio PT.

É justamente esse cenário que aparece por trás da manifestação de Aldair. Ao afirmar que sabe que “não é da vontade” dos vereadores deixarem de apoiar seu filho, o presidente da Câmara indica acreditar que existem fatores externos influenciando essas mudanças.

Na mensagem, porém, ele não identifica quais lideranças estariam conduzindo esse movimento nem quais vereadores teriam sido pressionados.

“O voto é de vocês”

Depois das críticas, Aldair reforçou que a decisão final dentro da urna pertence ao eleitor. “O voto é de vocês, o voto não é de ninguém. O voto é secreto, cada um tem o seu voto”, afirmou.

A declaração também funciona como uma tentativa de manter mobilizados os apoiadores de Alysson mesmo diante das mudanças políticas registradas nos últimos dias.

Aldair pediu que o grupo permaneça nas ruas até o encerramento da votação. “Tamo chegando na reta final, mas falta muito pouco. Falta muito pouco pro bem vencer e eu tenho certeza que a nossa vitória chegará no dia 4 de outubro”, declarou.

O presidente da Câmara também convocou os apoiadores para intensificarem a campanha neste domingo.

“Amanhã, vamos todos pra rua de manhã, pedir cada voto, conquistar cada voto até cinco horas da tarde. Conto com ajuda de cada um de vocês e vamos rumo à vitória”, afirmou.

Disputa dentro do próprio grupo

O episódio evidencia uma particularidade da eleição para deputado estadual em Maricá.

Diferentemente de um confronto direto entre governo e oposição, parte da disputa acontece dentro do próprio campo político governista. Alysson Elias e Zeidan pertencem ao PT e disputam votos dentro de um eleitorado onde ambos contam com relações políticas construídas junto ao mesmo grupo.

Na reta final, porém, a estratégia parece ter mudado.

O reforço da candidatura de Zeidan significa uma concentração de esforços em torno da tentativa de reeleição da deputada e pode reduzir a capacidade de mobilização de outras candidaturas que também dependiam de vereadores e lideranças locais.

O impacto dessa mudança sobre o resultado somente poderá ser conhecido após a apuração das urnas.

Eleição acontece neste domingo

O primeiro turno das Eleições 2026 acontece neste domingo, 4 de outubro.

Os eleitores irão escolher presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual. A votação acontece das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

A movimentação ocorrida nas últimas horas coloca ainda mais atenção sobre a votação para deputado estadual em Maricá. O que inicialmente aparecia apenas como uma reorganização de bastidores agora ganhou uma reação pública do próprio presidente da Câmara.

E, ao classificar o cenário político da cidade como uma “ditadura”, Aldair de Linda transformou a retirada de apoios de Alysson Elias em um dos episódios mais marcantes da reta final da campanha eleitoral no município.

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