Maria Eduarda de Oliveira Ramos, conhecida como Duda, desapareceu em janeiro de 2023 e foi encontrada morta nove dias depois em Itaipuaçu
Mais de três anos após um crime que provocou grande comoção em Maricá, Gustavo Diniz Frazão foi condenado a 30 anos de prisão pela morte de Maria Eduarda de Oliveira Ramos, conhecida como Duda, de 16 anos.
O julgamento aconteceu na última quarta-feira (2), na 3ª Vara Criminal de Niterói. O processo relacionado ao caso é classificado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) como feminicídio.
Duda desapareceu no dia 21 de janeiro de 2023, após sair de casa na região de Santa Paula, em Inoã. O desaparecimento mobilizou familiares, amigos e moradores da cidade, que realizaram buscas e divulgaram informações na tentativa de encontrar a adolescente.
Nove dias depois, em 30 de janeiro, o corpo da jovem foi localizado em uma área de mata nas proximidades da Estrada dos Cajueiros, em Itaipuaçu. O corpo estava em avançado estado de decomposição e a identificação foi posteriormente confirmada oficialmente.

Investigação apontou ex-namorado
As investigações ficaram a cargo da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo. Gustavo, que havia mantido um relacionamento com Maria Eduarda, passou a ser apontado pela Polícia Civil como responsável pelo crime.
Na época, a polícia informou ter reunido diversos elementos probatórios durante a investigação. Um mandado de prisão temporária foi expedido pela Justiça em 1º de fevereiro de 2023 e Gustavo foi localizado e preso dois dias depois, em 3 de fevereiro, no Centro de Niterói.
Entre os elementos analisados pela investigação estavam imagens de câmeras de segurança. Os registros mostravam Maria Eduarda chegando na garupa de uma motocicleta com Gustavo durante a madrugada de 22 de janeiro, horas depois de deixar sua residência.
O celular de Duda também foi encontrado posteriormente em um terreno próximo à residência de Gustavo. O aparelho foi recolhido para perícia e incorporado à investigação do caso.
Caso foi tratado como feminicídio
Registros oficiais do TJRJ mostram que a ação criminal teve origem na Vara Criminal de Maricá e tramitou como processo relacionado a feminicídio. Em 2025, houve ainda um incidente de desaforamento do julgamento — procedimento utilizado para que um Tribunal do Júri seja realizado em outra comarca. O julgamento acabou ocorrendo em Niterói.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro também inclui Maria Eduarda em seu memorial dedicado às vítimas e classifica a morte da adolescente como feminicídio. Segundo o MPRJ, Duda havia completado 16 anos apenas dez dias antes do crime.
Desde 2023, familiares e amigos cobravam justiça pelo assassinato da adolescente, que se tornou um dos casos de maior repercussão registrados em Maricá nos últimos anos.
Com a decisão do Tribunal do Júri, Gustavo Diniz Frazão foi condenado a 30 anos de prisão pela morte de Maria Eduarda.

