Testes psicológicos começaram neste sábado e representam mais um passo no processo de armamento da corporação; agentes aprovados ainda passarão por treinamento técnico e avaliação prática
A Guarda Municipal de Maricá iniciou neste sábado (18) uma das fases mais importantes do processo de implantação do porte institucional de arma para seus agentes. Os testes psicológicos, exigidos pela legislação federal, começaram a ser aplicados ao efetivo da corporação e servirão para avaliar quais guardas possuem aptidão psicológica para seguir nas próximas etapas da formação.
Ao todo, os 385 agentes da Guarda Municipal participarão das avaliações, que seguem critérios definidos pela Polícia Federal. A previsão é que essa etapa aconteça entre os dias 18 e 21 de julho.
Segundo a Secretaria de Segurança Cidadã, a avaliação é considerada fundamental para garantir que o armamento da Guarda seja implementado com responsabilidade, segurança e dentro das normas estabelecidas pela legislação.
Avaliação é obrigatória para obtenção do porte
O exame psicológico faz parte das exigências previstas no Estatuto do Desarmamento e nas normas da Polícia Federal para a concessão do porte funcional aos integrantes das guardas municipais.
Os testes são realizados por psicólogos credenciados pela Polícia Federal e analisam aspectos como controle emocional, atenção, memória, raciocínio lógico, personalidade, capacidade de tomada de decisão e estabilidade psicológica para o exercício da atividade armada.
Apenas os agentes considerados aptos poderão avançar para as próximas fases do processo.
Próximo passo será treinamento com armas
Depois da avaliação psicológica, os guardas aprovados ainda precisarão cumprir um curso de capacitação em armamento e tiro, com aulas teóricas e práticas.
A formação inclui disciplinas sobre legislação, direitos humanos, mediação de conflitos, uso progressivo da força, técnicas de abordagem, segurança no manuseio de armas e treinamento de tiro.
Somente após concluir toda a capacitação e cumprir as exigências legais, os agentes poderão receber a autorização para portar arma de fogo em serviço.
Projeto avança desde o ano passado
O armamento da Guarda Municipal faz parte de um projeto da Prefeitura de Maricá iniciado em 2025. Na ocasião, a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, a legislação que autorizou a criação da Guarda Armada no município.
Posteriormente, a administração municipal regulamentou as regras para utilização das armas, estabelecendo critérios para treinamento, avaliações periódicas, fiscalização e acompanhamento dos agentes.
O modelo adotado também prevê controle rígido do armamento, requalificações constantes e monitoramento da atuação dos servidores.
Câmeras corporais e fiscalização
A Prefeitura informou que os agentes que atuarem armados deverão utilizar câmeras corporais durante o serviço. A medida busca ampliar a transparência das ações da Guarda, proteger tanto os agentes quanto a população e facilitar a apuração de eventuais ocorrências.
Além disso, o porte poderá ser suspenso caso o servidor deixe de cumprir qualquer requisito previsto na legislação ou apresente condições incompatíveis com a atividade.
Objetivo é ampliar a capacidade de resposta da Guarda
Com a implantação do porte institucional, a Prefeitura pretende fortalecer a atuação da Guarda Municipal no apoio às forças de segurança, especialmente na proteção do patrimônio público, das unidades municipais e no atendimento de ocorrências em parceria com os demais órgãos de segurança.
Também está prevista a criação do Grupamento de Ocupação Democrática Armada do Território (GODAT), unidade especializada que deverá reunir cerca de 150 guardas municipais capacitados para atuar em ocorrências de maior complexidade.
Apesar do início dos testes psicológicos, ainda não há uma data oficial para que os primeiros agentes passem a atuar armados nas ruas da cidade. Isso dependerá da conclusão das avaliações, do treinamento obrigatório e da autorização da Polícia Federal.

