Prefeito afirma que estrutura com milhares de painéis fotovoltaicos nunca foi conectada à rede elétrica e critica investimento realizado durante a administração anterior
O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, voltou a fazer críticas públicas à gestão de seu antecessor, Fabiano Horta, desta vez em relação a um projeto de geração de energia solar implantado no município.
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Em vídeo divulgado nas redes sociais, Quaquá visitou uma área onde estão instalados milhares de painéis fotovoltaicos e afirmou que aproximadamente R$ 50 milhões teriam sido investidos na estrutura durante a administração de Horta. Segundo o atual prefeito, entretanto, o sistema nunca chegou a entrar efetivamente em operação.
“Isso aqui não liga nada a lugar nenhum. Nunca acendeu uma lâmpada. Isso é uma vergonha. Tenho vergonha do que fizeram em Maricá. Olha o desperdício de dinheiro público. Nunca acendeu uma lâmpada. Foram R$ 50 milhões que o senhor Fabiano jogou fora aqui”, declarou Quaquá.
A afirmação sobre o valor de R$ 50 milhões e sobre a ausência de geração de energia foi feita pelo próprio prefeito. Até o momento, não foram apresentados, na publicação analisada, documentos técnicos detalhando a execução financeira do projeto ou esclarecendo quais etapas ainda seriam necessárias para que a estrutura entrasse em funcionamento.
Durante a visita, Quaquá também questionou a opção pela construção de uma estrutura concentrada de geração de energia e afirmou que os recursos poderiam ter sido direcionados para a instalação de sistemas fotovoltaicos diretamente em residências de famílias de baixa renda.
“Aqui o dinheiro ia pro bolso de alguns. Pra nós, o sol nasce pra todos. Quantas casas de pobre, de gente que precisa, que tem a luz cortada, que tem dificuldade de pagar a conta de luz no final do mês, quantas casas não daria pra atender com essas placas?”, disse o prefeito.
Prefeitura prepara novo modelo
As declarações ocorreram enquanto Quaquá apresentava uma nova proposta para a política municipal de energia solar. Batizado de “O Sol Nasce para Todos”, o projeto anunciado pelo prefeito prevê a instalação de pequenos sistemas fotovoltaicos nas casas de moradores de baixa renda, com a proposta de reduzir os gastos dessas famílias com a conta de energia elétrica.
A utilização de energia solar no município, porém, já vinha sendo discutida há alguns anos. Em 2022, Maricá instituiu por lei o Programa Municipal de Incentivo à Energia Solar Fotovoltaica, denominado Programa Energia Limpa, com previsão de estímulo à microgeração e minigeração distribuída.
Já em janeiro de 2025, a própria Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar) apresentou um projeto destinado à instalação de placas solares em comunidades e residências de famílias de baixa renda.
Em junho deste ano, a Prefeitura também apresentou a chamada Fazenda Fotovoltaica entre os projetos de energia sustentável do município durante o Energy Summit 2026, realizado no Rio de Janeiro.
Disputa política entre Quaquá e Horta
As novas críticas acontecem em meio ao acirramento da relação política entre Washington Quaquá e Fabiano Horta, que durante anos integraram o mesmo grupo político em Maricá.
Nos últimos meses, Quaquá passou a responsabilizar publicamente a administração anterior por uma série de problemas que afirma ter encontrado ao retornar à Prefeitura. Em março, disse que precisou reorganizar a administração municipal e rever prioridades. Em julho, também afirmou ter recebido o município com um déficit de aproximadamente R$ 480 milhões — outra declaração feita pelo atual prefeito e contestada no ambiente político local.
Fabiano Horta, que administrou Maricá entre 2017 e 2024, também já respondeu publicamente a outras críticas feitas por Quaquá, incluindo discussões relacionadas à gestão do Fundo Soberano do município.
Até a publicação desta reportagem, não foi localizada manifestação pública de Fabiano Horta especificamente sobre as declarações envolvendo a usina solar e o valor de R$ 50 milhões. O espaço permanece aberto para posicionamento do ex-prefeito.

