Fim de uma era: HMS deve fechar após mais de 40 anos em Maricá

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Tradicional instituição particular funciona há mais de 40 anos no Piquete e deve encerrar as atividades em dezembro; Prefeitura iniciou processo para desapropriar o imóvel

O cenário da educação na região central de Maricá deve passar por mais uma mudança significativa. Depois de imóveis onde funcionaram instituições particulares como IBEC, CEMAS e Colégio Cenecista terem passado a abrigar unidades da rede municipal, agora o mesmo caminho deverá ser seguido pelo tradicional Colégio HMS, no Piquete.

A escola, localizada atrás da Rodoviária de Maricá, deverá encerrar suas atividades particulares ao final do ano letivo de 2026. O imóvel foi declarado de utilidade pública pela Prefeitura e deverá ser utilizado para a implantação de uma nova Unidade Escolar Municipal de Educação Básica.

A medida consta no Decreto nº 543, de 27 de agosto de 2026, que autoriza a Procuradoria Geral do Município a dar prosseguimento à desapropriação por via administrativa ou, se necessário, judicial.

Imóvel tem mais de 1,4 mil metros quadrados. De acordo com o decreto, a área objeto da desapropriação possui 1.421 metros quadrados e fica na Rua Rodrigo Alves de Abreu Rangel, no bairro do Piquete.

O documento determina que o espaço seja destinado exclusivamente à implantação de uma unidade municipal de Educação Básica e autoriza a Prefeitura a adotar as providências necessárias para efetivar a desapropriação.

O ato, porém, não informa o valor da indenização, quando o imóvel será efetivamente incorporado ao patrimônio municipal, quando começarão possíveis obras ou quantos alunos a futura escola poderá receber.

Também ainda não foi informado o nome da nova unidade ou quais etapas da Educação Básica serão oferecidas no local.

Uma escola com 45 anos de história

O HMS é uma das instituições particulares mais antigas ainda em atividade na região central de Maricá.

A escola é mantida pela Sociedade Educacional Comecinho de Vida Ltda., empresa aberta em 21 de março de 1983. O cadastro empresarial da instituição registra atuação na Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Registros do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro também mostram o Colégio Hamilton Moreira da Silva, nome relacionado à sigla HMS, em processos educacionais de Maricá desde pelo menos 1992.

Atualmente, o próprio Conselho Municipal de Educação continua relacionando a Sociedade Educacional Comecinho de Vida (HMS) entre as instituições privadas autorizadas no Centro de Maricá.

Segundo informações apuradas pelo Jornal de Maricá, a previsão é que a escola siga funcionando até dezembro, permitindo a conclusão do ano letivo de 2026 antes do encerramento das atividades.

A mudança coloca fim a uma trajetória de mais de quatro décadas de uma instituição pela qual passaram diferentes gerações de estudantes de Maricá.

Não é o primeiro caso no Centro

A transformação prevista para o HMS não será inédita na região.

Nos últimos anos, outros imóveis ocupados por tradicionais instituições particulares de ensino passaram a receber escolas da rede municipal.

Um dos casos é o antigo IBEC (Instituto Batista de Educação e Cultura). Atualmente, o local abriga a Escola Municipal Professora Romilda dos Santos. A própria relação oficial de unidades da Prefeitura identifica a escola como “Profª Romilda dos Santos (IBEC)”, preservando a referência ao antigo colégio.

Situação semelhante ocorreu com o antigo CEMAS – Centro de Ensino Martins Santini. Documentos da Secretaria Municipal de Educação já identificavam, em 2022 e 2023, a unidade municipal Haroldo Santini no mesmo endereço onde funcionava o CEMAS, na Avenida Antônio Vieira Sobrinho.

Atualmente, a unidade aparece na relação do Conselho Municipal de Educação como CEIM Dó Ré Mi Haroldo Sant’Anna Santini, no Centro.

Cenecista também foi transformado em escola pública

Outro caso de grande repercussão ocorreu com o Colégio Cenecista de Maricá, instituição que durante décadas foi uma das principais referências do ensino particular na cidade.

Em 2020, após o encerramento das atividades particulares, a Prefeitura assumiu o imóvel da Rua Barão de Inoã e realizou intervenções para transformá-lo no CEPT Professora Zilca Lopes da Fontoura. A nova unidade foi inaugurada em julho daquele ano.

O prédio passou por reforma geral, incluindo salas de aula, piscina, áreas externas, cozinha e refeitório. Na época da inauguração, a Prefeitura informou capacidade para atender 1.120 alunos.

Hoje, o CEPT Zilca Lopes continua listado oficialmente entre as escolas municipais da região central.

HMS será o próximo

Com a publicação do Decreto nº 543/2026, o HMS passa a integrar essa sequência de imóveis tradicionalmente ligados ao ensino particular que deverão ser utilizados pela rede pública municipal.

Na região central, o histórico passa por:

  • antigo IBEC → Escola Municipal Professora Romilda dos Santos;
  • antigo CEMAS → CEIM Haroldo Santini;
  • antigo Cenecista → CEPT Professora Zilca Lopes da Fontoura;
  • HMS → futura Unidade Escolar Municipal de Educação Básica.

No caso do HMS, entretanto, o processo ainda está em andamento. O decreto declara o imóvel de utilidade pública e autoriza a desapropriação, mas ainda não representa, isoladamente, a conclusão da transferência do bem para o município.

Também permanecem sem resposta questões como o valor da desapropriação, a quantidade de vagas que serão abertas e quando a nova escola pública começará a receber alunos.

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